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Você conhece taperebá ? Não !? E cajá ? Com certeza se é da Bahia, ou passeou por aqui e gosta de “tomar umas”, já bebeu uma Cajaroska…

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Pois é , esta Witbeer, cerveja de estilo belga de trigo, não leva as cascas de laranja e sementes de coentro como a tradicional receita do estilo. A Amazon é uma cervejaria, que ao contrário do que o nome sugere, é de Belém do Pará ( e isso dá um pau danado já que Manaus e Belém tem uma rivalidade histórica, como testemunho sempre nas discussões “jornalístco-bairrísticas” na redação da TV Bahia entre o paraense Mauro Anchieta e Wanda Chase, rsrsrs).

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Quem já é apaixonado pelo universo cervejeiro, já deve ter bebido esta Wit de Taperebá(umrótulo até certo ponto fácil de achar). Ela é da AmazonBeer (inaugurada em 2000) , uma das cervejarias “pioneiras” no Brasil em “arriscar” colocando frutas nas receitas. Prá bater” a danada, peguei um Queijinho Coalho, bem fresco, meio salgado e um pouquinho ácido.

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A cerva já surpreende no aroma, que lembra mesmo o nosso querido cajá (em Belém, Taperebá). A leve acidez,baixo amargor e o frutado do sabor revelam um breja refrescante que se enroscou perfeitamente com o queijinho suave (joguei uma pitadinha de pimenta jamaica prá dar um toque empireumático na parada).

Fica a sugesta !!!

ABRAÇO

PANÇA CHEIA

SAUDAÇÕES

Salvador, 29 de junho de 15

Bolo de mãe já é brincadeira, né ?! Aquele gostinho de infância que , parece, foi outro dia.

Agora, quando o bolo vem junto com uma cerva de respeito a coisa fica melhor ainda. Harmonizar sobremesas com cervejas especiais é uma benção, principalmente prá quem é apaixonado por cerveja, e não por doces, como é o meu caso.

As Stouts são daquelas cervejas que os “não iniciados” vão, como primeira reação , dizer .: “Essa é fooorte.” . Podem até esperar aquele gosto “docinho” , lembrança gustativa das Malzbiers e Caracus.

Não é o caso, já que estas velhas conhecidas do paladar do brasileiro, recebem xarope (corante) caramelo para ter cor e sabor, diferencialmente, escuro e doce. Pelo dulçor, caiu no gosto da mulherada. Muitas vezes o corante vinha mesmo prá encobrir defeitos das “pilsens normais”.

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As Stouts tem esta cor devido a torrefação mais acentuada do malte. O aroma e o sabor também são puxados para o “torrado” do café nesta Stout, da Dama, de minha querida Piracicaba. Vivi os (ótimos) anos da faculdade em Pira. Conheci a fábrica da Dama há dois anos. É uma pequena cervejaria que começa a se destacar pela ousadia em novos lançamentos como a “quadrilogia” de Ipas com lúpulos especiais (  Ahtanum, HBC342,Topaz e Motueka), que dão aroma e sabor frutados, cítricos e florais.

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Detalhe da mesa de casa…

A Fellas foi outro lançamento bacana da Dama. Esta Ipa leva grãos de café “mesmo” na sua composição e chega nos 90 Ibus.

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… e detalhe da parede de casa, rsrsrs

Mas voltando ao “bembolado” do bolo com a Stout, a harmonização veio pela similaridade e combate dos sabores ( o levemente adocicado e amargo “empireumático” da cerva com o doce deste bolo inesquecível (uma porrada de castanhas e frutas cristalizadas). De quebra,a Dona Clara traz na receita que veio da”bisa”, a velha e manjada Caracu.

Segue a receita do bolo. A cerva a gente procura… rsrsrsr. Próximo post : outra fábrica de Pira que está “botanopálá” ,e que pouca gente conhece em Salvador. A Cevada Pura !

Bolo de Reis
3 xícaras de farinha de trigo;
2 xícaras de açucar;
4 ovos;
1 vidro de melado;
100 gramas de manteiga;
1 colher (sopa) de pó royal;
1 colher (sopa) de canela em pó;
1/2 noz moscada ralada;
4 colheres (sopa) chocolate em pó;
1 lata de cerveja preta (minha mãe usa Caracu, aí não adianta discutir, rsrsrs), bater a cerveja com 8 cravos no liquidificador, coar e usar na massa;
Bater esses ingredientes na batedeiras: 200 gramas de uva passa clara e 200g da escura, 200g fruta cristalizada, 200g de nozes.
Em seguida misturar esses ingredientes aos poucos na massa, em uma forma untada, assar durante 40 e 50 minutos.

ABRAÇO 

PANÇA CHEIA

SAUDAÇÕES !!!

 

 

 

Salvador, 11 de junho de 15

Domingo… Tudo fechado, chovendo…Chegando do trampo em casa e … FOME !!!

Vida de solteiro é assim mesmo. Mas quando a geladeira mostra algumas soluções a preguiça vai embora. Em Santa Bárbara d´Oeste tem uma açougue que só vende carne de porco ! É rocambole, alcatra, picanha, tudo de palmeirense… Trouxe alguns tipos de linguiças caseiras : de rúcula, com mandioca e presunto com queijo há 3 semanas. Só achava que todas tinham acabado. Mas não…..

Tinham duas numa bandeja quase sumidas atrás de um caldo de camarão. Azeite na frigideira, uma colher de mostarda Dijon no prato e voilá ! Um provolone aberto, tres ovos, umas ervas sêcas (sálvia, tomilho e alecrim), meio tomate e pronto : um omelete !

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A melhor surpresa ainda estava numa cerva estilo Vienna (deitada atrás de umas Heinekens, e que julgava já bebida). Adendo aqui: cerveja especial, ao contrário do vinho, deve ser mantida em pé na geladeira (diminui o contato de oxigênio na garrafa e  os sedimentos ficam depositados no fundo. Se bem que eu adoro dar aquela “reboladinha” e experimentar o fundinho.)

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A Vienna da Bierland, de Blumenau (terra da Oktoberfest tupiniquim) , é superpremiada em grandes concursos internacionais. Confesso que sou um apreciador de cerveja que me apego muito aos rótulos que gosto de cara.Tem cervejeiro que vai mais pelas novidades da prateleira, e até invejo este desapego, rsrsr. Toda vez que encontro esta Viena tenho que levar uma prá casa.

O estilo Vienna, capital da Áustria, surgiu no séc. 19 (por lá , é claro). Foi popular nos Estados Unidos pré-lei sêca. Quase desapareceu depois que os “puritanos” praticamente exterminaram a cultura cervejística estadunidense (como gostam de chamar os “vermelhinhos” comunistas). O estilo sobreviveu, levado para o México, e hoje também faz sucesso nos EUA graças ao movimento apoteótico das “pequenas” cervejarias norte-americanas. Fonte : Site http://www.simposiodacerveja.com.br/

Esta Vienna, apesar de ser uma Lager (com fermentação em temperatura mais baixa, e em “tese”, com menos “pegada” no aroma e sabor), apresenta uma um corpo maltado bacana e até um certo dulçor, bem balanceado com o amargor do lúpulo. Acredito que é um bom “segundo” passo prá um iniciante no mundo cervejeiro (o primeiro, quase sempre, é fincado nas Weiss, “trigo”). O aroma floral do lúpulo ,de cara , anuncia uma coisa nova para os “novos felizes cervejeiros”. $ 18,60 (600ml)

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A harmonização ficou bacana com o omelete suave, já que o provolone não era daqueles de “arder o palato”, e as linguiças (pernil,queijo e presunto), também “meia boca” nos quesitos salgado e gordura. A mostarda Dijon deu um contraponto interessante que a breja escolhida deu conta de neutralizar.

 

ABRAÇO

PANÇA CHEIA 

SAUDAÇÕES !!!

Salvador, 24 de maio de 15

Bebedor de cerveja desde os 14 anos (hoje com 41), confesso que há uns 10,15 anos, vinha perdendo o prazer de tomar “uma gelada”. Não sabia dizer o porquê , até entender que não era eu que havia mudado, mas, as cervejarias. Ou melhor, o jeito delas fazerem as cervejas. A gigante Ambev elegeu como alvo a preferência do bebedor brasileiro e mundial pela cerveja fraca, quase insípida, e “leve” ,  de acordo com o que acredita a maioria das pessoas.

Resultado disso : ingredientes mais baratos, processos industriais “top” e marketing poderoso prá enfiar goela abaixo um líquido prá matar a sêde (às favas com a nova ortografia) e, que nem de longe, lembra daquela Antartica que tomei no início de minha carreira cervejística. Depois acabaram com a Bohemia, Original , e por aí vai…

Foi numa reportagem sobre cervejas especiais (ou, o termo que acho pernóstico,”gourmet”) que voltei a me apaixonar pela cerveja. Muito devo ao Bernardo, da ACERVA-BA (Associação dos Cervejeiros Artesanais da Bahia), principal fonte da matéria na época, por esta redescoberta.

Então vou parar de lenga-lenga e ir a esta harmonização : IPA Belga com Risoto de Linguiça de Maragogipe e Queijo Cuia. 

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Escolhi uma linguiça que sou devoto ! Apesar de Salvador não ser uma cidade que se distingue pelas suas linguiças ( como se destaca o interior de São Paulo), o Recônvavo apresenta um embutido especialíssimo, mais conhecido como Linguiça de Maragogipe. Nunca acompanhei o processo de cura e defumação dela, mas é de um sabor impressionante , claro, conforme a origem. Se é mesmo de Maragogipe ou Nazaré das Farinhas, Santo Amaro, não sei dizer. O Queijo Cuia é o que eu tinha na geladeira de mais “gordo” para dar aquela cremosidade ao risoto.

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Risoto de Linguiça de Maragogipe e Queijo Cuia

uma xícara e um pouco de Arroz carnarole ou arbóreo

meia cebola

um dente de alho

1 linguiça grande de Maragogipe (daquelas defumadas, que são encontradas na Feira das 7 Portas) +- 300gr

alho em pó ou frito a gosto

caldo de carne (prá esse, usei a água da pressão de um charque que fiz outro dia) quanto baste prá “bater” o risoto

azeite

uma colher de manteiga

raspas de Queijo Cuia, ou outro gorduroso, um provolone, gorgonzola…

 

Jogar a cebola picada no azeite. Passar rápido a linguiça picada no refogado, colocar o alho e o arroz. Vai acrescentando o caldo e batendo o risoto até ficar al dente . Desligue e jogue a manteiga prá dar aquela cor bonita e por último o queijo cuia prá agregar. Pode pôr o queijo na hora de servir também.

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Harmonizar bem cerveja com o prato é uma arte mas também é, principalmente, um exercício de experimento. Em tese, uma Ipa Belga, revela um amargor típico de uma Ipa (estilo com origem britânica), com leveduras usadas na Bélgica. Nesta breja da Ogre, fábrica paranaense de São José dos Pinhais, ela se apresenta uma pancada de amargor que me pareceu pouco mais do que mandam os 7,3% IBU(unidade de amargos) no rótulo. Mais floral e herbácea no aroma, também se fez sentir flores e ervas no sabor, embora em menos conta. Nunca tinha bebido uma Ogre. Deu tesão de conhecer os outros estilos da marca. A garrafa , 600ml, custou 21 merréis. Com mais a linguiça (22 o quilo, na 7 Portas), e umas raspas de Cuia, tá ruim o preço da harmonização ? KKKKKKKKKK

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O salgado e o defumado da Linguiça de Maragogipe, além da untuosidade da manteiga e do Cuia foram quebrados pelo “amargo cigano” da breja. Valeu paracaraca !!!

AH… RANGO FEITO E CERVEJA ABERTA NA NOITE DA MORTE DE B.B. KING !!! PRÁ ACOMPANHARO NO “TOCA DISCO”, ROLOU “BLIND LOVE” https://www.youtube.com/watch?v=7JceGTxXrUI. AMOR TÃO CEGO, COMO ESTÃO EM FESTA OS CORAÇÕES DOS ANJOS PRÁ RECEBEREM  B.B. E SUA LUCILLE LÁ ENCIMA !!!

ABRAÇO

PANÇA CHEIA

SAUDAÇÕES !!!

Salvador, 18 de maio de 15